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Black & gray

Porque a vida não é só "preto e branco". O cinzento também existe. E é a possibilidade de podermos optar pelo cinzento, em tantas situações, que torna a nossa vivencia tão rica.

Black & gray

Porque a vida não é só "preto e branco". O cinzento também existe. E é a possibilidade de podermos optar pelo cinzento, em tantas situações, que torna a nossa vivencia tão rica.

09.Out.17

Arbeit macht frei

Foi com grande surpresa que soube que a extrema direita alemã conquistou, nas últimas eleições, 13% dos votos, tornando-se a 3ª força politica e conseguindo, assim, assento no Bundestag alemão (o que já não sucedia desde o fim da segunda guerra mundial).

Pelo que tive oportunidade de ler, esta força politica pretende "enterrar o peso do passado nazi" (recusando-o fortemente). Como se fosse possível esquecer...

Sou fã da Alemanha (cultura que adoro pela sua organização, rigor, exigência) e tive já oportunidade de visitar o campo de concentração de Dahau (perto de Munique) várias vezes: na primeira só visitei as casernas, na segunda vez tive oportunidade de visitar os fornos e câmaras de gás e na última juntei ainda o museu. Em qualquer das situações saí de lá muito impressionada mas, o museu, é chocante demais (com as suas fotos reais, testemunhos, pertences de quem ali passou e perdeu a vida).

Numa das entradas encontramos ainda um grande portão com a máxima "Arbeit macht frei" (o trabalho liberta), o que num contexto diferente até posso concordar mas, considerando que era o lema dum campo de concentração, o trabalho neste caso só amarrava, feria, humilhava, matava...

Para os alemães o holocausto existiu, (seria bom que não) mas faz parte da sua (trágica) história. Mas têm vergonha do que se lá passou.

Ainda me lembro que, na minha primeira visita, perguntámos a um sr. na casa dos 60 anos onde ficava o campo de Dahau. Respondeu-nos educadamente mas com hesitação, como se nos quisesse condenar ou ignorar a sua existencia. Era algo que estava ali tão perto, mas que a sua memória não queria lembrar.

Na minha ultima visita, há 10 anos, tive oportunidade de encontrar várias turmas de escolas em visitas de estudo. Pergunto-me se alguns daqueles alunos não terão votado nesta extrema direita. Se a mensagem do campo de concentração lhes passou devidamente. 

Como podem as agruras e amarguras do holocausto serem hoje a base dum partido que pretende libertar a Alemanha e "devolver" (também pelo racismo e a xenofobia) a Alemanha aos alemães?...

 

 

 

 

 

 

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