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Black & gray

Porque a vida não é só "preto e branco". O cinzento também existe. E é a possibilidade de podermos optar pelo cinzento, em tantas situações, que torna a nossa vivencia tão rica.

Black & gray

Porque a vida não é só "preto e branco". O cinzento também existe. E é a possibilidade de podermos optar pelo cinzento, em tantas situações, que torna a nossa vivencia tão rica.

26.Jul.17

Os meus avós

É verdade hoje é dia dos avós.

É até um cliché deixar aqui, neste dia, umas palavras aos meus avós. Mas não o fazer também seria errado.

Ainda tenho uma avó, com 89 anos. Está já num mundo só seu, sem saber o nome dos seus familiares mais chegados mas lembrando-se de coisas da sua infância. Mas apesar de tudo, com uma boa condição física.

Os meus outros 3 infelizmente já não se encontram entre nós. Um deles morreu de forma trágica, inesperada pois quis ele próprio pôr termo à sua vida sem que nada o fizesse esperar. Um acto de coragem ou de covardia, nunca soube muito bem avaliar. Sei que me marcou pois, com 25 anos, foi o primeiro familiar que perdi. Das pessoas mais sérias e idóneas que conheci.

Mais tarde, a minha avozinha do peito. Que saudades das suas sopas, da laranja cortadinha com açúcar, das sopas de café e da sua generosidade. Dos almoços ao Domingo, depois da missa e da sua presença, na primeira fila, em todos os saraus de ginástica e demonstrações da escola de música. Partiu também sem saber, depois de um par de anos acamada mas sem noção da realidade.

E por último o meu avô materno. Eu era a sua companheira de viagem desde pequena, na distribuição. Cantávamos músicas antigas que ainda hoje sei de cor, os jingles da rádio, os clássicos do festival da canção. Guardo hoje uma mágoa por, nos seus últimos anos, não ter sido paciente com a sua forma de estar na vida. Quem me dera que ainda cá estivesse para me redimir e dar-lhe a atenção merecida.

O que sou hoje devo muito aos meus avós (principalmente aos avós maternos que estiveram sempre mais próximos e me viram crescer). Há cheiros, cores, momentos que nunca esquecerei e facilmente me lembro deles.

Acredito que estão num sitio bonito, felizes, descansados e em paz, a olhar por todos nós e também orgulhosos do que vêm. Obrigado (com uma lagriminha ao canto do olho).

 

25.Jul.17

Tudo Incluído

Não sei se já viram o novo programa semanal da SIC - Tudo incluído. Um revivalismo dos melhores programas desta estação, nos seus 25 anos de existência. Muitos "tesourinhos deprimentes" é verdade, mas é bom recordar.

O Big Show Sic (o macaco Adriano e o nosso querido João Baião) e, neste último episódio, uma homenagem ao Chuva de Estrelas.

Tudo isto me faz reconhecer que os anos passaram e que quase nem dei por isso. E tanta coisa aconteceu neste quarto de século: Licenciei-me, casei, fui mãe e viajei, viajei muito. Que saudades.

Mas estes programas também me fazem lembrar os serões em família, ainda solteira e a saudade daqueles que já cá não estão. Recordei o meu pai, a sua alegria e o seu riso contagiante. E dei por mim a comover-me de saudade...

Tempos que já não voltam mas as marcas do tempo persistem ainda (escondidas algures na nossa lembrança).

20.Jul.17

Revistas e mais revistas...

Nunca fui uma pessoa de vícios. Não sou uma consumidora compulsiva (pelo contrário, até um pouco sovina), não bebo café, não como pastilhas, enfim tenho poucos hábitos.

Mas, há uma coisa ao qual não consigo resistir - revistas de culinária, independentemente da marca (e não digo do preço porque ultimamente apostei em fazer o estrago mais barato). Mas desenganem-se... Não é por ser doida por cozinhar (pois raramente o faço por prazer).

E se até há uns anos atrás a Teleculinária liderava, agora com a oferta das revistas mensais das diferentes cadeias de hipermercado, a variedade tornou-se maior e até mais vantajosa em termos de preço.

Durante muito tempo não perdia uma teleculinária Bimby mas, hoje as do Pingo Doce ou Continente têm sido a minha perdição.

Dei por mim, ontem, a reconhecer que com a pilha de revistas que já tenho, o espaço a elas destinado está a começar a esgotar-se. Mas o mais preocupante é que, apesar de ter tido contacto com todas as suas receitas ao longo destes anos, contam-se pelos dedos de uma mão, as vezes em que experimentei uma delas para satisfação pessoal ou para poder agradar num jantar de amigos.

A minha relação com estas revistas é quase como quando saboreio um gelado. Chego a casa e, enquanto bebo um cházinho (afinal acho que tenho um vício, chá...), vou "degustando" as receitas que vou lendo, imaginando como e quando poderão ser servidas. Leio também as entrevistas, passatempos, etc. Mas, assim que acaba (satisfação que dura cerca de 15 minutos), eis que a bendita revista vai para o armário fazer companhia às demais, para ficar "quase para sempre esquecida".

Esta minha relação com as revistas de culinária penso que é herança da minha mãe.

Sempre foi uma ótima costureira e se havia ritual mensal na minha casa, esse era a compra da revista Burda, mesmo quuando ainda não havia versão em português.

A minha mãe coleccionou tantas ao longo da sua vida que dava para criar um museu (só realmente temos noção da sua quantidade quando precisa de mudar de casa). E olhem que já muitas ficaram esquecidas em casa de alguém que lhas pediu emprestado.

A única e grande diferença das minhas revistas de culinária e as de costura da minha mãe, é que estas últimas tinham um propósito. Costurar uns modelitos para os membros femininos da família (que para além da minha mãe e irmã, eram extensíveis também à tia, avó e primas).

E tudo partia dum retalho comprado na Feira dos tecidos.

Mas resultava, e eu (após uma escolha ponderada do modelo e do recorte de moldes que a minha mãe me obrigava a tirar) até fazia boa figura na escola. Sempre na moda. O único risco era sair à rua com uma blusa ou vestido igual à minha vizinha do primeiro andar, filha duma costureira e também "devota" das revistas Burda.

Pois é, tenho de resolver este meu dilema: ou deixo de comprar revistas ou passo a ser chef regularmente, nem que seja experimentando uma receita de cada revista, para justificar o investimento (de 0,50€).

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