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Black & gray

Porque a vida não é só "preto e branco". O cinzento também existe. E é a possibilidade de podermos optar pelo cinzento, em tantas situações, que torna a nossa vivencia tão rica.

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Porque a vida não é só "preto e branco". O cinzento também existe. E é a possibilidade de podermos optar pelo cinzento, em tantas situações, que torna a nossa vivencia tão rica.

03.Ago.17

Diário de um padre

Este será o meu primeiro post que acredito vá gerar alguma discussão mas aqui vai.

Ouvi hoje na TVI24, na reportagem "Diário de um padre", a seguinte frase dita pelo Sr. Padre Calado Rodrigues da paróquia de Bragança: "Quem não consegue perdoar não devia poder rezar o Pai nosso".

Dei por mim a pensar nesta frase e acabei por concordar.

Mais à frente o Sr. Padre referiu ainda, por suas palavras, que não se pode ser católico praticante sem se ir à missa, que seria o mesmo que ser ciclista e não andar de bicicleta. Com esta frase já não concordo tanto, mas penso que complementa a ideia anterior...

Andei na catequese desde a primeira classe. Passei por todas as etapas como a primeira comunhão, profissão de fé, crisma e fui catequista até casar. Na minha adolescencia não faltava a uma missa.

Com o casamento e o nascimento do meu filho, deixei de ser presença na missa de domingo mas não entendo que tenha deixado de ser menos católica por isso. Continuo a pôr em pratica os valores que aprendi e que tão bem me foram transmitidos pela minha catequista (já falecida). Continuo a respeitar os outros, a sua liberdade, a partilhar, a saber ouvir, a ajudar quem precisa de mim, a não mentir e, sobretudo, a defender sempre a verdade, a justiça e a saber perdoar. Não é por não ir à missa que perdi ou esqueci esses valores. Até porque é no nosso dia-a-dia que os devemos pôr em pratica.

E lá está, muitos conheço que vão à missa, que rezam o Pai nosso e que, das portas para fora da igreja, são mesquinhos, cínicos, mentirosos e sem repeito pelos que os rodeiam. Do alto do seu orgulho, afirmam não conseguir perdoar, e esperam sempre que sejam os outros a dar o primeiro passo.

Tenho um filho com 17 anos a quem não consegui (com pena minha) que fosse à catequese ou à missa. Mas eduquei-o segundo os padrões que conheço da igreja católica, segundo os mandamentos e os valores que aprendi a defender. Respeito a sua opção de não acreditar em qualquer tipo de religião mas fico feliz por saber que assimilou bem os valores do respeito e amor pelo próximo.

Penso que também está preparado para saber perdoar, amar e respeitar (mesmo sem saber rezar um Pai nosso)...

"Ama a verdade, mas perdoa o erro" - Voltaire